Podcast #4 – Arromanticidade


Lançado na Semana Aro, o programa traz uma convidada para uma conversa sobre arromanticidade, relacionamentos e muito mais.

Participantes: Mojo, Eduarda
Convidade: Lori
Edição: Ash


Transcrição de Áudio – Episódio 4: Arromanticidade

[Música]

Mojo: E aí, pessoal? Aqui é o Mojo falando e a gente tá iniciando mais um episódio do podcast Aroaceiros. O tema do episódio de hoje é arromanticidade já que esse episódio tá saindo na semana da visibilidade arromântica.

[Fim da música]

Mojo: Antes da gente começar, talvez seja sua primeira vez aqui, meu nome é Mojo, minha linguagem pessoal é o/ele/-o, sou aroflux, assexual estrito, bi alguma coisa, não sei exatamente o que [risos]. Eu também sou uma pessoa trans não binária.

Pra começar o nosso episódio, agora a gente tem aqui na nossa equipe de hoje, a Eduarda, que faz parte do podcast Aroaceiros e temos uma convidada especial que é a Lori. Lori vai se apresentar agora.

Lori: Oi gente, eu sou a Lori, eu me identifico como assexual estrita e arromântica, mas é aquela coisa, em relação à romanticidade fica aquela dúvida se eu sou aro estrita ou demirromântica e bi alguma coisa, como o Mojo falou. [risos]

Eduarda: Oi gente, eu sou a Eduarda, meus pronomes são a/ela/-a, eu sou bi e aroace restrita.

[Música]

Mojo: Pra começar hoje, a gente vai falar um pouquinho sobre o nosso processo de descoberta. Meu processo de descoberta enquanto aro foi bem complicado. Eu considero que a minha arromanticidade foi a primeira coisa que eu notei, mas a última que eu dei o nome. 

Eu sempre percebi que eu não tinha interesse em beijar, em sair com alguém… Não tinha crushzinhos, paixõezinhas como as outras crianças. Eu até tinha, mas era de uma maneira muito diferente e eu sempre percebi que tinha essa diferença.

Aí quando eu tinha 15 anos eu notei que quando eu tentava me envolver emocionalmente com alguém e não conseguia criar essa ligação emocional e também notei que não tinha vontade de beijar outras pessoas porque não me sentia atraído por elas.

A primeira coisa que eu descobri tendo essas informações foi sobre a assexualidade. Acho que eu acabei descobrindo sobre a arromanticidade por tabela, acho que por muito tempo me vi como assexual birromântico, sendo alorromântico mesmo.

E eu entrei em relacionamentos e eu cometi muitos erros dentro deles. Eu acredito que esse processo de descoberta como aro, foi um processo de descoberta bem doloroso, só não se compara com meu processo de descoberta como trans, nesse sentido, porque é uma dor completamente diferente, mas foi de fato muito doloroso. 

Aí quando eu tinha por volta de 17, eu comecei a pensar nisso como uma possibilidade, eu tinha saído de um relacionamento falido e tinha tentado outros relacionamentos, e nenhum deles dava certo e eu percebi que as pessoas iam se apaixonando e ficavam muito envolvidas nisso, muito intensamente. E por mais que eu tivesse interesse nas pessoas de alguma forma, era muito menos intenso, era muito diferente.

Com 18 anos eu tive um outro relacionamento no âmbito amoroso, romântico e eu também não conseguia me envolver de uma maneira mais profunda, mais intensamente. 

Por muito tempo eu achava que eram bloqueios, a esse ponto eu já tinha pensado que não tinha nada a ver, que eu não era aro nem nada do tipo. E aí eu comecei a perceber que minha maneira de gostar, minha forma de querer essa proximidade emocional é muito diferente do meu ex namorado, eu comecei a perceber que eu era diferente. 

Comecei a perceber que a minha maneira de lidar com os sentimentos, principalmente com os meus, era diferente. Aí eu comecei a pesquisar um pouquinho mais sobre a arromanticidade, aí quando eu tava com 19, ano retrasado, eu comecei a levar mais a sério ser arromântico. Infelizmente me envolvi em outro relacionamento e não foi orgânico, foi meio forçado porque eu ainda tava aceitando ser aro.

Acho que só fui aceitar mesmo ser arromântico na quarentena, que eu passei muito tempo sozinho e consegui não me envolver com ninguém e foi um milagre pra mim… E foi mais ou menos assim que eu me descobri aro, foi um processo de muita pesquisa, leitura, erros cometidos e dificuldade de me aceitar. Acho que esse é um resumão.

Eduarda: Isso que o Mojo falou, de ficar sozinho, é um negócio muito difícil pra mim e é muito importante, na minha visão, ficar sozinho e ser aro porque tu pensa muito, mas é incrível o quanto… Não sei… O quanto é facil se envolver em relacionamentos sendo aro… Não é que é fácil, não sei, tu acaba indo então eu me identifiquei muito com o que o Mojo falou.

Lori: Eu também me identifiquei muito com o que o Mojo falou, principalmente nessa questão da descoberta por tabela, pela assexualidade, porque meu processo de descoberta foi todo através assexualidade e dentro da comunidade ace. Porque se a assexualidade já é invisível ali na mídia, então a comunidade aro basicamente não existe, pra mídia.

Então todo o contato de informação que eu tive foi por meio da comunidade ace, foi depois de eu me descobrir ace, e também não foi um processo nada fácil, foi bastante doloroso porque tem toda aquela coisa da amatonormatividade em cima da gente, o medo de ficar sozinha, da solidão. Por muito tempo eu ainda tava em negação por ser ace, não ser aro era tipo uma segurança. 

[5:50]

Era a possibilidade de que talvez eu não ia ficar a vida inteira sozinha se eu fosse alorromântica, eu tinha essa maluquice na minha cabeça de “eu sou ace, mas pelo menos não sou aro”. E de repente a possibilidade de eu ser ace e aro foi um caminhão me atropelando porque aquilo quebrou toda a “segurança” que eu tinha, foi muito difícil, eu fiquei anos em negação, acabei me aceitando mesmo só no meio da quarentena, percebendo que uma relação romântica não me fazia falta nenhuma, além de eu não sentir atração romântica.

Eduarda: Bem, sobre minha descoberta, eu acho que eu nunca pensei nisso, eu olhava pessoas que me atraiam esteticamente e dizia: “essa vai ser a pessoa que eu vou gostar esse ano”. Eu me envolvi em vários relacionamentos que foram fadados ao fracasso porque eu me sentia enganando aquelas pessoas, porque tinha toda aquela conexão, um amor, aquelas pessoas gostavam realmente de mim e eu me sentia profundamente mal por não conseguir corresponder isso. 

E era sempre com aquele pensamento “eu só não encontrei a pessoa certa”, enfim, encontrava desculpas até que um dia eu falei sobre isso pro meu irmão e ele me disse “você conhece sobre pessoas arromânticas?” e isso ficou repercutindo pela minha cabeça e isso foi no 9° ano, mas eu pensei “bom, não encontrei nada sobre, então vou seguir o baile, não deve ser meu caso”. 

E foi isso, eu passei o ensino médio inteiro me relacionando e dando errado porque eu não conseguia me conectar com aquelas pessoas, manter aquilo pra frente. E foi quando eu magoei uma pessoa que eu parei e pensei “eu não posso mais continuar assim, eu não me sinto bem assim” e foi um estalo de olhar e falar “é isso, aceita que você é aro e vai atrás de informação”.

Sinceramente, no começo foi bem difícil encontrar informação, só consegui encontrar coisas relacionadas no twitter que foi onde abriu meu olhos e eu comecei a ler e entender muito mais. E é sempre um processo sobre aceitação, mas hoje em dia eu me sinto bem mais segura de quem eu sou. Tem dias que é mais difícil, tem dias que tu fica realmente balanceada, mas tem dias que tu realmente tem muito orgulho. E foi mais ou menos assim meu processo.

Eu acho que não sofri pra nenhuma das minhas identidades, foi eu não querer magoar os outros, foi sempre tranquilo eu aceitar quem eu era, eu só não queria magoar outras pessoas, e quando eu me entendi eu consegui me relacionar e estabelecer conexões com pessoas que começaram a dar um pouco mais certo.

Mojo: O twitter também foi muito importante na minha descoberta, as informações que eu acabei encontrando sempre vinham muito mais de pessoas que falavam sobre a arromanticidade e até mesmo a assexualidade e outras coisas no twitter, de qualquer outra forma. 

Mas eu sinto também que muitas informações acabam vindo de uma maneira equivocada, acabam vindo de interpretações muito pessoais, de textos em inglês ou em outros idiomas e eu percebo, principalmente agora que estamos trabalhando no Aroaceiros, que muita coisa que eu achava que era “assim e assado”, na verdade não é muito bem…

[9:50]

E assim, outra coisa, eu também ficava naquilo “eu sou assexual, mas pelo menos não sou arromântico, pelo menos nisso [risos] eu não tô no espectro aro, eu não vou ser totalmente diferente das outras pessoas”, sabe? E acho que até hoje eu ainda luto um pouquinho com isso, eu tento me convencer de que não sou aro, e na verdade eu sou porque… [risos] Uma pessoa que não é aro não pensaria tanto sobre isso, eu acho.

E eu sinto que a amatonormatividade influenciou, e influencia até hoje no meu processo porque eu tenho muita dificuldade de conceber a ideia. Eu não sei vocês, mas eu sempre cresci vendo filmes, séries e fanfics de romance, e relacionamentos românticos, não necessariamente livros de romance, sei lá, aqueles bem estranhos, mas no geral coisas envolvendo romance, eu adoro shippar casais. 

Muita coisa eu vejo só pelo casal, desculpa, mas eu sou esse tipo de pessoa, e eu acho que internalizei muito essa ideia de que pra eu ser feliz preciso de um relacionamento romântico, tanto que eu sou muito difícil, talvez, averso não seria a palavra correta, mas é um pouco difícil eu entrar em um relacionamento queerplatônico porque eu tenho essa ideia de que um relacionamento romântico é melhor e não é, necessariamente. Pra mim, definitivamente não seria.

Eu acabo muito tendo essa ideia de que eu quero isso, que eu preciso disso, quando não, é só uma coisa que eu internalizei demais pela sociedade, pelo o que ensinam pra gente. O meu processo de aceitação foi muito longo e não terminou ainda, e eu tô totalmente ciente disso porque eu ainda tenho essas idéias e eu valorizo demais esses relacionamentos que nunca dão certo comigo. As pessoas podem falar “ah, é porque você tem 20 anos ainda”, mas só ver como é em relação as outras pessoas.

Desde quando eu tinha 7 anos de idade, quando eu imaginava meu futuro, quando eu imaginava uma família, eu sempre imaginei eu e, talvez, crianças que eu adotasse sozinho, eu sempre me vi assim.

Uma das minhas ex-namoradas, a Ana Flávia, que é muito minha amiga, inclusive, uma coisa que ela me falou muito quando a gente namorava que me magoou bastante, foi que eu sou muito solitário [risos]. Ela não disse de uma forma ruim, pra ela na época era uma coisa boa, eu sabia ser solitário, alguma coisa assim. Eu não lembro a palavra que ela usou, mas isso é uma realidade, eu sou muito individualista, eu não consigo criar essa conexão, isso não faz parte de mim, existe um limite. 

Eu até consigo ter uma certa intimidade e esse limite não existe dentro de relacionamentos românticos da forma que acontece comigo e eu tô muito ciente disso, outra coisa que demonstra demais essa minha diferença é que todo relacionamento que eu entro eu sei que tem um prazo de validade. Essa é uma coisa horrível de se falar e as pessoas podem acabar achando que eu só quero magoar as pessoas ou pegar geral, sendo que eu sou ace. Ace sex-averse.

Eduarda: Nossa, eu super entendo isso de olhar pra relacionamentos com prazo de validade, porque todos que entrei era sempre “ah, uma hora isso vai acabar” . Atualmente estou em um e infelizmente ainda tenho esse pensamento de “quando eu vou acabar com isso?”. 

Estando dentro de um relacionamento, ainda mais na quarentena, eu comecei a perceber esses comportamentos que foram falados de ser individualista, porque é muito isso, sou eu vivendo minha vida e mesmo que a pessoa seja muito compreensiva e maravilhosa, tem dia que eu só não me vejo estando naquilo, porque seria mais fácil eu sentir atração romântica e estar dentro de tudo aquilo que esperam de um relacionamento. Então é um processo ser aro, de estar sempre se percebendo, de sempre ver seus comportamentos e sentimentos em relação à aquelas pessoas. Tem dias e dias [risos].

Lori: Isso que o Mojo falou dessa questão de ter uma percepção desde criança de se ver num futuro sozinho com filhos adotados, isso me faz pensar em toda essa resignação de um passado que fazemos quando a gente se descobre aro.

[14:28]

Porque comigo também rolou várias situações  específicas eram basicamente um sinal de que relacionamentos românticos talvez não fossem uma grande prioridade na minha vida, e que eu não via as outras pessoas  nesse sentido. Tipo ao longo de toda a minha adolescência principalmente os crushs que eu tinha, etc, eram todas pessoas escolhidas no dedo: “ah essa é a pessoa que eu vou dizer que é meu crush, porque esse garoto aqui da sala tem um ar misterioso, então, sei lá, desperta minha curiosidade, então vou dizer que essa pessoa aqui é meu crush”

Toda vez que alguém sugeria assim “ah, não, porque se você quiser eu posso falar com ele” nossa eu entrava em pânico, eu ficava “mano pelo amor de deus não” e no dia seguinte eu já não sentia mais nada pela pessoa.

Então é engraçado como a allonormatividade já tava ali e eu nem percebia. Eu tava me forçando a desenvolver um crush por uma pessoa que tipo eu tipo escolhia muito aleatoriamente tipo “ah, essa pessoa é interessante e eu […] por ela, né, e ela ta não ta no meu grupo de amigos, então tipo dificilmente vai acontecer alguma coisa de verdade”.

E ai quando tinha a possibilidade de realmente rolar alguma parada eu entrava em pânico e eu acho que isso já era um grande sinal. Uma outra situação, que é tipo bem mais antiga, quando eu tinha sei lá, acho que foi um dos primeiros sinais mesmo de que eu poderia ser aro na minha vida. 

Foi quando eu tinha uns 12 anos e ai eu me lembro que foi a primeira vez que eu tentei […] essas questões tipo, de passar a vida sozinha né, tipo assim, e se eu não casar com ninguém, não tiver filhos, não construir uma belíssima família tradicional, o que eu vou fazer da minha vida? 

Eu nem lembro porque que eu pensei sobre isso, mas pensamento se passou pela minha cabeça, e aí eu conversei com uma amiga minha sobre isso e ai tipo, hoje em dia eu nem tenho mais contato com ela então eu nem sei se ela é lgbtqia+ por exemplo, mas seria engraçado se fosse também, porque ela se identificou com isso, tipo “também já pensei sobre essa questão”.

E aí a gente combinou que assim “ah não, se a gente resolver não casar com ninguém então a gente vai se unir, a gente vai compra uma super mansão e aí a gente vai morar juntas com vários cachorros, gatos, e aí a gente vai acolher outras pessoas, outras garotas, que também são solteiras, etc” 

E esse pensamento naquela época e a gente ficou com essa ideia vários anos, até a gente perder o contato. E aí eu acho isso muito engraçado pensar nisso, porque eu fico “cara, gostaria que isso acontecesse até hoje”

Mojo: Nessa questão, eu acabo juntando muito a minha arromanticidade com a minha dificuldade de criar laços afetivos e principalmente de intimidade emocional. Então eu cresci realmente me vendo como uma pessoa que ia crescer e ia morar sozinha, ia ficar sozinho, eu preciso de muito espaço, eu gosto muito dos meus amigos, mas eu preciso de muito espaço, e é uma coisa que eu acho muito característica da arromanticidade, não exclusiva, mas muito característica, muito presente na nossa comunidade. 

Como a gente acaba valorizando, às vezes em excesso, de forma não saudável, mas definitivamente mais intensamente, nossos relacionamentos platônicos, nossas amizades, nossas conexões emocionais arromânticas. 

Eu lembro das minhas amigas, melhores amiguinhas, elas começavam a namorar e como elas mudavam muito comigo quando elas tavam namorando, como nossa proximidade diminuía. E que eu me incomodava muito, eu me sentia muito mal, sentia que, como se eu não fosse suficiente, sabe? 

Porque para mim, até então, aquilo era suficiente, e… É uma coisa, aquilo que a Lori tava falando, às vezes a gente vai olhar no passado e a gente vai enxergar muita coisa, sabe? A arromanticidade é uma coisa que faz parte de mim de uma maneira muito presente, muito, muito, muito, muito presente… Da minha personalidade, da maneira como eu funciono, e… acaba se conectando com outras características minhas.

É importante reforçar aqui que a gente tava falando das nossas experiências pessoais. isso não é nenhum tipo de espelho pra comunidade inteira, porque existem muitas pessoas que são arromânticas e criam laços emocionais platônicos mesmo ou que são pessoas extremamente afetuosas, mas eu não sou, eu não consigo ser, nunca consegui ser, sou sempre distante, e isso ta muito atrelado a minha arromanticidade, sabe,  a minha assexualidade, isso ta totalmente atrelado a isso. 

Eu consigo reconhecer que a origem está no mesmo ponto assim, então acabo tento uma dificuldade de botar isso pra fora, expressar isso e explicar para as pessoas que é uma coisa que eu, vou falar pra vocês, a única identidade que eu não conto para as pessoas é que eu sou arromântico.

E eu tenho um pouco de vergonha de admitir isso, mas é muito mais fácil eu falar que eu sou ace, do que arromântico. E já é muito difícil eu falar que eu sou ace, é mais fácil eu falar que eu sou trans do que que eu sou ace, pra vocês terem uma ideia do quanto eu não falo sobre, porque as pessoas não reagem bem.

[19:35]

Eduarda: Sem dúvidas acho que uma das maiores provas que eu vi isso, foi esses tempos que eu expliquei pra uma amiga minha como é que eu me relacionava, super superficial, e mesmo sendo por mensagem de texto, tava ali sabe, eu me senti muito mal depois, porque… Dava pra ver que ela não entendia e que era um respeito do tipo “ah te respeito mas to te julgando internamente, porque acho estranho”.

E acho que… foi até a Lori que postou no Twitter esses tempos e que eu refleti muito, que tu até fala, pelo menos no meu caso, pras tuas amigas “ah sou aro” mas aquelas pessoas esquecem, sabe? E elas falam “beleza”, mas no fundo elas não te levam a sério, elas não tentam entender o que é, elas te respeitam porque são tuas amigas, mas no fundo te acham estranha. 

E isso às vezes me machuca muito, pensar nisso, pensar que as pessoas acham estranho o modo como eu sou e isso me fere porque é como eu realmente sou, faz parte de mim e é como eu vou me relacionar com as pessoas e com o mundo. E eu valorizo muito amizade, eu sou daquelas que gosta muito de abraços.

E às vezes as pessoas até confundem isso com algo romântico, como já aconteceu no nono ano, de perguntarem se eu era lésbica por estar grudada em uma amiga minha ou por um namorado de uma amiga minha ficar com muito ciúmes e até arranjar briga comigo porque era próxima da minha amiga e porque eu sempre fui muito fofa, muito carinhosa, muito solícita e eu sempre estar disposta a estar pra ela, sabe.

É incrível como as pessoas sempre vêm de uma maneira romântica e nunca de eu realmente amar platonicamente minhas amigas e saber que elas no fundo não me levam a sério é algo que me machuca. 

Às vezes eu me pego pensando nisso, “será que alguém vai me levar algum dia a sério?”. E eu super concordo com o mojo de eu também tenho muita resistência de falar isso, eu fico pensando quando eu sair de casa e eu não cumprir o papel social se caso eu não me case, cumpra os sonhos e as expectativas que os meus pais e as pessoas de fora têm, sabe? Como justificar isso sem dizer que eu sou aro? Sem me sentir mal comigo mesma? 

É um processo que eu tô sempre pensando nisso, porque por mais que eu esteja atualmente com alguém, eu me vejo morando sozinha, vivendo minha vida e isso me deixa muito feliz na verdade, mas sempre tem aquela “vozinha” de “como tu vai justificar isso para aquelas pessoas que esperam de ti?”. E mesmo que eu goste muito da ideia de um casamento, mais da festa em si. E não sei se eu vou um dia conseguir sustentar uma relação sendo aro estrita, sendo eu, no caso.

Lori: Mas sobre isso que o mojo falou de dizer para as pessoas, dizer “eu sou arromântico” né, é uma coisa que eu acho que é muito difícil, porque ainda é diferente também de você escrever sobre em um texto, você realmente falar em voz alta, é mais do que você admitir algo pra si, você tá admitindo isso pro mundo, pra outras pessoas, pra quem mais puder estar ouvindo.

Eu tenho muita dificuldade com isso também, tipo a arromanticidade é a última identidade que eu vou assumir para as pessoas, para mim é muito mais fácil falar da assexualidade do que da arromanticidade, porque querendo ou não a gente já viu “ah, um programa no fantástico falando de assexualidade”.

A gente já viu matéria em jornal, online, falando sobre isso, mas a gente muito dificilmente vê alguma informação sobre a arromanticidade, então tipo, existem situações nas quais eu falo para alguém que eu sou assexual e a pessoa fala “ah, já conheci alguém assim”. 

Ou a pessoa já sabe o que é mais ou menos, mas quando eu falo que eu sou arromântico, todo mundo olha para mim assim como se eu fosse um alienígena, tipo “An? Você é o que? Que que você ta falando? Nunca ouvi falar disso”.

E aí vem por tabela, palestras de meia hora, explicando o que é, e depois vem uma sessão de perguntas das quais eu não fico a vontade de responder ou eu nunca penso sobre isso. Ou então aqueles questionamentos tipo “Ah, mas é aquela pessoa que você gostava no nono ano lá no colégio?” 

E aí eu fico assim “gente nem eu lembrava da existência dessa pessoa, meu deus que isso”. É complicado. E ainda corre o risco de tipo, como a Eduarda falou, que eu falei sobre isso no Twitter esses dias, através do Tweet de uma outra pessoa, sobre essa questão, porque você vai, fala para alguém “eu sou arromântica” e daqui a uma semana essa pessoa não se lembra mais, essa pessoa ignorou totalmente o fato, para você isso é muito importante, mas para essa pessoa isso tem zero importância. 

[25:00]

Já rolou uma situação comigo que foi muito estranha inclusive, porque as vezes eu vou, eu falo que eu sou “ah, eu sou arromântica” para uma pessoa aí passa um tempo a pessoa esqueceu e aí a pessoa fica sem graça por ter esquecido e aí eu vejo que a pessoa talvez não tenha feito por mal, ela fica muito sem graça, constrangida. 

Já rolou comigo uma situação que foi bizarra. Uma amiga minha esqueceu que eu tinha falado para ela que eu sou aroace e aí muito tempo depois eu tava lá casualmente com o nosso grupo de amigos, todo mundo lá sabia que eu sou aroace e eu fiz uma piada, do tipo “ah, eu sou aro”, uma piada e aí ela olhou para mim extremamente ofendida porque eu não tinha contado para ela e eu falei “Como assim eu não contei? É claro que eu contei… Você perguntou”.

E ela realmente tinha perguntado para mim, ela viu que eu tinha um boton na minha bolsa e aí ela me perguntou que bandeira era aquela e eu falei para ela, expliquei o que era e falei que eu era. E aí ela esqueceu completamente, apagou aquilo da vida dela e ficou ofendida comigo porque eu não tinha falado para ela que eu sou arromântica, como se fosse uma super obrigação minha ficar reforçando toda hora para ela não esquecer, sabe? 

E aí eu achei aquilo bem zuado, me incomodou muito na época, não se passou pela minha cabeça que ela pudesse estar sendo arofóbica. E hoje em dia eu questiono se ela não foi tipo bastante arofóbica, naquela colocação e eu deveria falar mais sobre isso pra ela não esquecer.

[26:35]

Eduarda: Eu também percebo muito isso, de não levarem a sério, quando você se relaciona com pessoas. Eu sempre me relacionei com muitas pessoas e eu percebo que ninguém realmente me leva a sério por isso, do tipo “meu, olha a quantidade de relacionamento e você ainda fala que é aro?” 

E até um garoto que eu já fiquei falou “Para alguém que fala que é aro, tu ta bem envolvida comigo” é eu fico “Gente cês entendem? Vocês ao menos tiveram o trabalho de pesquisar, de me ouvirem? De saber como eu me sinto?”.

Porque eu me sinto muito solitária às vezes, eu não tenho coragem de desabafar  os meus sentimentos pros meus amigos porque eu sei que eles não vão entender, que eles vão me achar estranha, que o modo como eu me relaciono atualmente para eles é algo estranho, eu sempre sou vista assim sabe e as pessoas realmente não te levam a sério.

E isso dói, dói porque é quem tu é, dói porque é o modo como tu se relaciona, porque é como tu se impõe no mundo. E não é porque eu particularmente me envolvi com pessoas e estou mesmo em um relacionamento, que isso me faz menos aro, sabe?

Porque é muito único o jeito que eu me relacionei com cada um e o que que eu senti com cada um, e eu não sei, eu só sinto que é um pouco solitário às vezes, quando se não tem outras pessoas do meio pra conversar sobre até socializar.

E é por isso que eu digo que o Twitter é uma ferramenta, e as redes sociais em si, muito importante, porque através deles que tu consegue ver outras experiências, outras visões, como outras pessoas se relacionam, em certas situações.

E é muito importante essas ferramentas, são um jeito de a gente se unir e juntar forças e perceber que a gente não tá sozinha naquele mundo, que existem diversas outra pessoas,  diversos outros meios, outras vivências, e que a gente é uma comunidade bem forte  até. Eu acho muito importante pontuar o quanto redes sociais são nossas aliadas nesse caso de unir forças, de se entender.

Lori: É sem dúvida eu também acho as redes sociais de extrema importância, no geral para as pessoas lgbtqia+ no armário é de extrema importância. Eu tenho assim uma relação de amor e ódio com redes sociais no geral, mas eu nunca conseguiria sair de todas as redes sociais, eu já saí da maioria das redes sociais, mas o Twitter é de extrema importância enquanto uma pessoa aroace porque eu não tive isso, você encontrar outra pessoa, que seja aro ou seja ace no seu dia a dia e eu falo isso como uma pessoa que mora no Rio de Janeiro e já acho muito difícil.

Eu nunca conheci uma pessoa aro pessoalmente inclusive, se eu não me engano. Pensando agora eu acho que eu nunca conheci uma pessoa aro pessoalmente, então isso é muito complicado, sabe? Porque eu já conhecia algumas pessoas ace, depois de ir atrás e criar  uma forma de me encontrar com essas pessoas ace do Rio de Janeiro. 

Então assim,  eu tive que arquitetar um evento pra poder ver essas outras pessoas no Rio de Janeiro, fazer amizade, mesmo sendo uma cidade muito grande. 

Mas pessoas aro, nem no twitter tinha alguém que fosse do mesmo lugar que eu, então é complicado, porque todo o meu contato de acolhimento como pessoa arromântica tá na internet, em grupos do whatsapp, grupos do discord, grupos do twitter e aí é muito estranho pensar que as vezes, eu sou mais eu dentro de uma rede social do que na vida real e quando isso se cruza com a quarentena se torna muito mais maçante, porque dentro de casa eu não sou assumida.

[30:58]

Então eu tô o tempo inteiro vivendo um personagem dentro da minha casa e dentro do twitter, eu estou vivendo de verdade, isso  é muito complicado, então a gente percebe realmente  que é de muita importância. 

Se for pensar por exemplo de eu sofrer arofobia, justamente por eu não ter muito contato fora da internet, com momentos, situações, que eu fale sobre arromanticidade constantemente, principalmente fora do meu grupo de amigos que eu sei que não me aceitam, fica complicado, porque eu realmente não sofri arofobia nenhuma, pessoalmente. 

Talvez aquela coisa indireta de alguém fazer um comentário que é arofóbico, mas não foi algo direcionado ou diretamente pra mim, mas na internet foi complicado, porque ao mesmo tempo tem os dois lados, você tem um espaço de acolhimento, com grupos de pessoas que te compreendem, mas você tem uma super exposição e pessoas são muito mais cruéis, pessoas que não te compreendem são muito mais cruéis em relação a isso porque elas tão ali, na máscara do anonimato. 

Então é complicado, a semana aro tá aqui e eu já fico pensando “ai meu deus, a quantidade de mensagens anônimas falando bosta que eu vou receber”.

Os comentários de gente que nem me segue, que  nunca me viu na vida, que vai lá num tweet meu pra me chamar de fria, psicopata, insensível, doente, me mandar fazer um tratamento porque é a primeira coisa que as pessoas fazem é te chamar de doente, dizer que você devia fazer terapia porque não é “normal” você ser uma pessoa arromântica né, ou associarem isso a psicopatia.

Isso já aconteceu comigo na internet, da pessoa chegar e falar “ah não, porque isso é um dos, sei lá, sintomas, da psicopatia, você não sentir esse afeto por outras pessoas.” 

Eu fiquei, gente? Eu ser arromântica não significa que eu não ame, eu amo muito as pessoas, de formas extremamente diferentes, dentro do espectro arromântico, eu posso não ser uma pessoa arromântica estrita, eu posso ainda sentir amor romântico de outras formas. E mesmo que eu seja uma pessoa arromântica estrita, isso não me faz psicopata sabe?

É extremamente sem noção falar isso, até porque a gente sabe que quando a pessoa ta te chamando de psicopata, ela ta te chamando do estereótipo de uma pessoa psicopata tipo jason no filme de terror, então é bem pesado.

Mojo: Nossa, com certeza. Eu to com muito medo na verdade, de como vai ser a semana aro no aroaceiros. É que eu não falo muito, mas todo dia eu to tendo que  bloquear gente, por “quotar” falando bosta sabe.

Eduarda: Um canal de informação, a gente no podcast com várias experiências, tem o insta sabe, existem pessoas que são assim, as pessoas insistem em mesmo assim em ofender a gente, falar coisas que não tem embasamento algum, que se você realmente fosse atrás do que é uma pessoa psicopata, lesse, entendesse, veria que não tem relação absolutamente nenhuma, em nada mesmo, que o que às vezes o que a mídia coloca, não é realmente o que é.

É só a pessoa parar pra entender, parar pra analisar e perceber que “por que não?”, por que não pode existir pessoas assim, por que todo mundo, teoricamente, teria que sentir  atração romântica, sabe? 

E é uma falta de empatia e realmente, de ignorância, não querer entender, de achar que ofender aquelas pessoas é algo muito melhor, dizer que a gente é frio é algo muito melhor, sendo que muitas vezes a gente sente muito mais em outros níveis.

De frio, a gente não tem absolutamente nada, pelo contrário e eu realmente fico pensando o que leva as pessoas a falarem esse tipo de coisa, a ofender as pessoas assim, sendo que tem informação, tem relatos, têm vivência, as pessoas aqui estão vivendo, dizer que eu sou fria e que eu não existo não vai mudar nada, eu vou continuar aqui, eu vou continuar sentindo o que eu sinto e é só a pessoa abrir um pouco a mente, é sempre 8 ou 80 e pelo amor de deus, a vida não é assim.

Lori: Isso me lembra essa questão de questionar porque essas pessoas fazem isso, isso me lembrou até um texto, que eu tava traduzindo esses dias pro aroaceiros, sobre essa questão da amatonormatividade e da dificuldade das pessoas de aceitar a arromanticidade.

A questão de por exemplo, pensar na allonormatividade é algo muito presente, mas a amatonormatividade, ao meu ver, é bizarramente mais presente, ela ta em absolutamente todo canto, ela tá em todo livro que você vai ler, ela ta em toda série que você vai ver, em todo filme. 

Em todo momento, numa conversa com os seus amigos ela vai estar lá, numa conversa com a sua família, ela vai estar lá em algum momento. Então é algo muito incrustado nas pessoas e na gente e não é atoa  que é muito difícil se aceitar como pessoa arromantica, isso tá muito dentro da nossa cabeça. 

[36:50]

E aí você pensa, já é difícil pra gente que sente, aceitar o que ta sentindo, aí existem outras pessoas que definitivamente não sentem isso e não estão afim de correr atrás de entender, porque elas tão lá seguras por uma crença que foi estipulada a vida inteira delas e aí do nada alguém vira pra elas e diz “não, não precisa necessariamente de atração romântica pra ser feliz”. 

Gente, a pessoa tem uma reação super agressiva, super negativa e violenta, isso vai  contra tudo que aquela pessoa estava acreditando e essa pessoa não está disposta a mudar essa opinião, a questionar sobre isso.

Eu vejo muito do porque que tem tanta gente que fica realmente agressiva em relação a descobrir a existência da arromanticidade, mas assim, acho que nada justifica, você virar pra uma pessoa e ser extremamente violento, absolutamente nada. Principalmente na internet, as pessoas usam muito o anonimato pra isso, mas nada justifica.

[Música de intervalo]

Mojo: A gente passa por várias dificuldades sendo aro e a gente vai passar por vários problemas, preconceitos e dificuldade pra entrar em relacionamentos emocionais, sabe? Porque as pessoas tão muito conectadas a ideia de que só existe amizade, amor e foda, só essas 3 coisas existem e não é só isso. Mas  a gente não precisa seguir isso pra ser feliz. 

Toda a questão da gente se descobrir como aro, todo esse processo que parece ser tão doloroso, ele existe e tá aí como uma forma da gente conseguir chegar até a nossa verdadeira identidade, uma forma de como a gente vai realmente ser feliz. Porque com certeza, se eu entrar em relacionamentos românticos, eu não vou ficar bem, eu não vou ficar feliz. 

Quando eu imagino o Mojo do futuro, morando sozinho, não é um mojo triste, é um mojo tranquilo, vivendo cuidando das plantinhas, dos bichinhos e dos filhos adotados. Então eu não sou necessariamente sozinho, sabe? eu só não me vejo com uma pessoa que seria minha parceira romântica, entendeu? 

E tudo bem, porque essa é a minha visão, esse é o meu sonho, digamos assim, essa é a minha visão de vida perfeita. E como a Eduarda falou, a gente é feliz assim, da forma que a gente é. O problema não é a forma que eu sou, o problema é o preconceito.

Lori: Cara, eu definitivamente jamais diria que eu sou uma pessoa triste, por ser arromântica, isso é um fato. Tipo, tem sim uns dias, tenho minhas  recaídas pensando “ai meu deus, será que eu não seria mais feliz sendo uma  pessoa allo romântica?.

Já se passou isso mil vezes pela minha cabeça, volta e meia eu penso nisso, principalmente depois que eu vejo aquele filme assim, aquela comédia romântica super fofinha e penso “poxa, talvez eu nunca viva isso”. Mas é aquela parada assim, 10 minutos, já sumiu da minha cabeça, e eu já to “nossa de jeito nenhum, eu prefiro mil vezes ser como eu sou, sabe?”

Porque isso faz parte de mim, eu fui isso a minha vida inteira, antes de ter um termo para explicar isso que eu sentia eu já sabia, eu só não tinha um nome pra isso e eu sempre fui feliz, sabe? 

Eu sempre vivi a minha vida bem assim, de certa forma é um termo que me abraça, que me traz muito carinho, eu penso em quantas pessoas incríveis eu jamais teria conhecido se eu não tivesse entrado em contato com a comunidade arromântica e é essa a questão que o Mojo falou, é olhar pro futuro e pensar que eu vou estar sozinha, mas pra mim estar sozinha, não é estar solitária, há um diferença muito nítida pra mim e isso pra mim não é nenhum problema, porque eu sei que eu sempre vou ter ali pessoas que se importam comigo, amizades.

[40:47]

“Ah, mas essas amizades podem ter outras prioridades e acabar sumindo” Sim, mas aí eu faço outras amizades, eu sempre vou ter por exemplo a comunidade arromântica para recorrer e fazer essas novas amizades inclusive. 

E eu acho isso muito único sabe, coisas que eu jamais teria vivido se eu não fosse arromântica, então jamais, de forma alguma, eu diria que eu sou uma pessoa triste por ser aarromântica ou que eu estou destinada a ser triste, não, isso é um mito, se você está pensando que você está destinado a ser triste por ser uma pessoa arromântica, tire isso da sua cabeça, porque você não está, tem muitos passos para felicidade na vida de qualquer pessoa arromântica.

Eduarda: E no final eu acho que todo processo é um processo, sempre vai ter suas dúvidas, seus questionamentos, seus altos e baixos, tudo. Então, vai ter  dias bons e dias ruins, dias que você vai pensar se ser assim é realmente algo bom, mas no fundo, conhecer, viver essa experiência, observar os outros, ler mais e se conhecer, é algo muito gratificante.

Aquele estalo de “eu sou isso” no final é algo bom, porque tu finalmente consegue se entender e se perceber e é através de informação e de autoconhecimento que a gente consegue estabelecer a nossa vida e o modo como a gente vai viver ela.

Então a gente é muito feliz apesar de tudo, nós somos pessoas muito felizes e a gente sempre vai ter o amor de outras pessoa, independente de ser arromântico ou não, no fina,l o que importa é como a gente está, como a gente quer vive e é isso.

[Música de intervalo]

Mojo: Acho que por hoje é só. Esse foi o nosso episódio sobre arromânticidade, sobre experiências. Espero que vocês tenham gostado, eu desejo pra todo mundo, uma ótima semana da visibilidade arromântica e se você gostou, você pode compartilhar, você pode mandar pres sus amigues, ajuda a gente muito, é isso, sejam felizes oxalates, até a próxima!

Eduarda: Tchau, até a próxima!

Lori:  Tchauzinho, gente!

[Música de encerramento]


Com as vozes de: Mojo, Eduarda e Lori;

Edição e revisão: Ash Trindade;

Transcrição de áudio: Kayê, Sthefanny e Sofia;

Revisão de transcrição: Mojo.

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