Identidades gênero-guiadas: a diversidade de vivências arromânticas e assexuais

Escrito por Eloah e Lori A.

Revisado por Ravi Pires e Calisto M. F.

*Aviso: este texto pode conter gatilhos de LGBTfobia, acefobia, arofobia dentre outras formas de preconceito.*

fundo azul com estrelas e o título diversidade aroace seguido do texto Estamos no Mês do Orgulho LGBTQIA+ e em meio a toda essa atmosfera de celebração, rememoração histórica e, principalmente no caso de aros e aces, educação, resolvemos então falar sobre um conceito que ainda é desconhecido até dentro das comunidades arromântica e assexual: identidades gênero-guiadas.
Por Giovanna

Estamos no Mês do Orgulho LGBTQIA+ e em meio a toda essa atmosfera de celebração, rememoração histórica e, principalmente no caso de aros e aces, educação, resolvemos então falar sobre um conceito que ainda é desconhecido até dentro das comunidades arromântica e assexual: identidades gênero-guiadas.

Também podendo ser chamadas de “gênero-orientadas”, utiliza-se esse nome por se referirem a orientações que sejam “guiadas” ou “orientadas” por um ou mais gêneros. Pouco cita-se esses termos, mas exemplos conhecidos de identidades gênero-guiadas são as primeiras três letrinhas do acrônimo LGBTQIA+. Pessoas multissexuais por exemplo têm sua vivência da sexualidade “guiada” por diversos gêneros e em relação a pessoas arromânticas e assexuais, nada nos impede de ter também uma identidade gênero-orientada.

De certa maneira, já é amplamente conhecido o fato de que aros e aces podem ter identidades complementares referentes à sua atração sexual, romântica, sensorial, afetiva e outras, porém, como nem todas as pessoas dos espectros arromântico e assexual utilizam termos complementares para nomeá-las, às vezes sob o olhar externo de uma pessoa alo pouco informada, imagina-se que essa multiplicidade de identidades seja impossível. Caso você tenha caído aqui por acaso sem conhecer muito sobre arromânticidade e assexualidade e esse seja seu caso, temos exemplos dessas e outras identidades usadas por pessoas aro e ace nos posts de identidades arromânticas e identidades assexuais.

É importante também lembrarmos que independente de ter ou não alguma identidade gênero-guiada, vivências arromanticas e assexuais são por si só queer. E aros e aces que optem por apenas se identificar enquanto arromântiques e assexuais ou mesmo que tenham uma identidade gênero-orientada hétero seguem historicamente sendo parte da comunidade LGBTQIAP+. Uma pessoa assexual e/ou arromântica já está automaticamente fora da norma social vigente, sendo as que mais nos atravessam especificamente a amatonormatividade e a alonormatividade.

Apesar disso, o objetivo nesse texto é explorar especificamente essa diversidade de intersecções de outras identidades LGBTQIA+ com a assexualidade e arromanticidade e, para poder construí-lo, buscamos pessoas das próprias comunidades aro e ace que se disponibilizassem para serem entrevistadas e nos contar um pouco de suas próprias vivências de múltiplas identidades queer. É então com base nas respostas de 16 entrevistas que conseguimos apresentar uma pequena fatia das vivências aro e ace gênero-orientadas. Todavia, achamos necessário reforçar aqui que de forma alguma temos por objetivo generalizar ou resumir a ampla diversidade dessas experiências nesse texto, apenas expor e refletir um pouquinho sobre o que nos atravessa.

A intersecção entre vivências diversas

Em relação a essa temática, duas perguntas foram feitas às pessoas entrevistadas:  “Como você enxerga que a sua identidade LGBTQIA+ não aro/ace afeta a sua vivência enquanto ace/aro?” e  “Na sua percepção essas identidades estão interligadas ou inteiramente separadas?”, com um total de 16 pessoas entrevistadas.

A maioria des estrevistades relatam que as suas identidades gênero-guiadas se interligam com as do espectro ace/aro, de forma completa dentro de suas respectivas vivências, complementares, sobrepostas, unidas, ligadas em algum ponto ou talvez lidas de forma separada fora da comunidade assexual e arromântica. Para menor parte des entrevistades, a sua experiência como ace e/ou aro é vista como sendo mais próxima do que as das demais identidades, ou possuindo maior relação com outros aspectos, como a neurodivergência no caso da Chuva Lua de 22 anos, que além de aro é travesti não-binária e bissexual. 

Essas intersecções são notadas quando se percebe a influência de uma identidade no contexto da outra, sendo vistas de forma conjuntas. Como dito por Ravena Nzuri (22 anos, demiace, bi e não-binárie): “(…) obviamente não são a mesma coisa, mas meio que andam de mãos dadas. Eu sou tudo isso e tudo isso forma quem eu sou”. Nesse contexto, há também Geovanna (22 anos, pansexual gray-a) que acredita que elas se sobrepõem.

“Pela minha vivência, entendo que as nossas identificações funcionam mais como uma teia complexa do que exatamente caixas para serem juntas ou separadas.”

 — Geovanna, 22 anos, panssexual gray-a.

No caso de serem entendidas de forma separada, esse posicionamento é manifestado em contextos que há a necessidade de explicação sobre a sua própria vivência para quem se encontra dentro da comunidade alossexual e/ou alorromântica, onde a presença de identidades gênero-guiadas juntamente com identidades aro/ace seria melhor entendida se apresentadas inicialmente de modo isolado.

“(…) quando se trata de outras pessoas, de repente essas duas identidades se separam, porque eu sempre tenho que explicá-las separadamente e depois tentar relacioná-las de alguma forma que a pessoa entenda. Quando tenho que me pôr no lugar de alguém de fora, é o único momento que paro pra encarar minhas identidades como duas coisas distintas.”

— Isadora, 20 anos, ace birromântica.

Quanto a forma de se experienciar ser uma pessoa aro/ace que possui identidades gênero-guiadas, surgem sentimentos de não pertencimento e invisibilização. Muitas vezes há uma hipersexualização dentro das identidades gênero-guiadas pertencentes ao meio alo, uma valorização do corpo e da atração sexual, bem como da atração romântica. Essas diferentes atrações são comumente vistas em conjunto, e tratadas sem distinção como via de regra.

“Primeiramente, não me sinto aceita e/ou compreendida pelas outras identidades não ace dentro da comunidade. Muitas vezes, você é tão questionado sobre sua assexualidade por um lgbt quanto você é por um cishet. Essa descrença na minha assexualidade por conta das pessoas lgbt não aces que já tive contato me levou a ser descrente da minha própria sexualidade, até porque, para muitos, ser bi é gostar de todo mundo e ser assexual é não gostar de ninguém, e para allos, atração romântica e sexual andam juntas. Então eu sou só considerada uma bi que precisa de experiência, alguém que não se descobriu direito ou alguém que não quer se ‘comprometer’. Ser tratada como bissexual quando na verdade sou birromantica é desconfortável porque isso não me representa. Sinto que tenho que me reafirmar sempre, não só pra outros mas pra mim mesma.“

  — Isadora, 20 anos, ace birromântica.

“Acho que ser allo-bissexual e arromântica faz com que as pessoas me vejam como ‘sem coração’. Como alguém que quer transar com todos e não namorar ninguém. Existe uma fetichização muito grande da bissexualidade em um geral e como as pessoas não entendem a arromanticidade e nem tentam entender, o resultado é esse.”

 — Giulia Santana, 23 anos, aro e bissexual.

A intersecção entre essas identidades moldam a forma como alguém se relaciona tanto romanticamente, quanto sexualmente. A experienciação de uma mulher lésbica alo, por exemplo, se difere de uma lésbica aro e/ou ace.

“(…) eu diria que elas podem sim estar interligadas, não somente em relação ao modo como eu penso o mundo/relacionamentos, mas de como eu sou recepcionado até mesmo dentro da comunidade lgbtq+, minha experiência como trans/gay/ace é com certeza muito diferente da vivência de um gay cis, ou até mesmo um outro cara trans que é allo dentro da comunidade. Às vezes eu sinto que realmente não me encaixo muito bem em nenhum dos dois”

— Dylan R., 24 anos, transmasculino, aroace e gay.

Dificuldades enfrentadas nas comunidades aro, ace e LGBTQIA+

Referente a esse tema, fizemos duas perguntas às pessoas entrevistadas: “Você enfrenta ou já enfrentou algum preconceito referente a sua outra identidade LGBTQIA+ dentro da comunidade aro e/ou ace? Caso queira, pode contar como foi?” e “Em relação a outra/s comunidade/s que você faz parte, você enfrenta ou enfrentou algum preconceito relacionado a ser aro e/ou ace? Caso queira, pode contar um pouco sobre?

Em relação às comunidades arromântica e assexual foi possível perceber que a grande maioria das pessoas tiveram experiências positivas e não vivenciaram preconceito, mas ainda assim houveram casos. De 16 entrevistades, 2 sofreram preconceito diretamente, 1 presenciou uma situação, 1 nunca sofreu diretamente mas já se incomodou com comentários que leu dentro da comunidade e 10 nunca sofreram e 2 nunca encontraram ou engajaram com a comunidade.

Em geral muitas respostas falaram positivamente dessas comunidades, descrevendo-as como receptivas e acolhedoras, porém é importante direcionarmos mais nosso olhar às situações negativas vivenciadas dentro das comunidades, mesmo que tenham sido apontadas como exceções e não algo constante. Geovanna, por exemplo, descreve que, apesar de não ser algo recorrente, já ouviu que não era “completamente ace” por ser pansexual. Ela também afirmou em seu relato não saber se “isso é algo raro ou um pensamento dominante não dito” e que são essas pequenas ocorrências que a fazem ter uma certa sensação de despertencimento com a comunidade ace enquanto gray-a.

“Não é algo recorrente, mas uma vez me falaram que eu não era “completamente ace” porque eu era panssexual. Realmente não sei te dizer se isso é algo raro (só ouvi uma vez) ou um pensamento dominante não dito, mas são essas pequenas coisas que também me fazem sentir menos parte da comunidade ace, como se eu não fosse gray-a e sim “não completamente ace”, sabe? É estranho. (…)” 

— Geovanna, 22 anos, panssexual e gray-a.

Naya (22 anos, mulher negra, lésbica e demissexual), também descreveu algo que, infelizmente, nós já observamos há algum tempo que ocorre dentro da comunidade, que é a ideia de uma “hierarquia” de assexual estrito como o “mais ace” enquanto quem sente alguma atração sexual seria “sujo”. Mesmo que comentários assim sejam colocados como piada ou brincadeira, ainda assim é um ataque a pessoas da área cinza e que possuem sexualidades gênero-guiadas.

“Nunca me ocorreu de ser diretamente discriminada por ser lésbica dentro da comunidade aro/ace. Já li alguns comentários de assexuais estrites, muito poucos para ser algo que pudesse transmitir a ideia de uma fala /pela/ comunidade toda ou tivesse impacto super negativo sobre minha auto percepção, mas que ao se colocarem em um pedestal de comportamento a ser seguido, faziam questão de colocarem outras pessoas que tinham estímulos sexuais como sujas. Não acho que é por aí que a comunidade vai conseguir transmitir suas ideias para outras pessoas ace ou allo e melhor se estabelecer e organizar. “

— Naya, 22 anos, mulher negra, lésbica e demissexual.

Já na direção oposta, na relação de pessoas aro e/ou ace gênero-guiadas dentro de outras comunidades, as respostas foram um pouco mais divididas. Dentre as respostas tivemos 6 casos de pessoas que sofreram diretamente algum preconceito, 2 que presenciaram situações, 4 que não passaram por dificuldades mas já ouviram falar de situações, 3 que apenas responderam não ou não responderam, 1 citou dificuldades referentes a questões raciais e 1 referente ao ambiente terapêutico.

Ao analisar as muitas descrições que recebemos, tendo às vezes uma única pessoa passando por múltiplas situações de preconceito diferentes, foi bem nítido que a patologização, a invalidação de identidades aro e ace e a sensação de despertencimento foram as 3 questões mais citadas. A patologização, que apareceu em 6 relatos diferentes, é algo recorrente na vivência aro e ace em geral, não ocorrendo apenas dentro de comunidades específicas. Porém, de certa maneira nos acaba sendo muito mais difícil ouvir que “pode ser um trauma” ou “você já tentou tomar remédio? Isso deve ser algum problema…” vindo de pessoas que já enfrentaram essas mesmas sugestões e perguntas apenas algumas décadas atrás.

Quanto à invalidação, que também é, infelizmente, uma experiência comum para nós, algumas formas dela que apareceram descritas foram devido ao desconhecimento do que é aro e/ou ace, questões relativas à idade (ser muito novo para ter certeza e semelhantes), exclusão em debates LGBTQIA+, patologização, infantilização, sugestão de que a pessoa está apenas “confusa” e de que, em especial a demissexualidade, seja apenas “traço de personalidade”. Podemos dizer que é decepcionante e que causa até mesmo uma sensação de insegurança chegar em uma comunidade que deveria ser acolhedora e enfrentar em um primeiro momento o desconhecimento da sua vivência para, após explicar, correr riscos de não ser levade a sério, não ser aceite e em alguns casos receber até olhares de pena, como se algo fosse faltoso dentro de nós e passível de cura.

“Especificamente falando da T, na minha experiência (por ser a comunidade onde eu passei mais tempo) rolaram atitudes de menor e de maior impacto. É muito normal as pessoas não saberem o que significa Aro, falarem que Aro não faz sentido porque atração romântica é “construção social” ou criticarem pessoas Aro que transam mesmo não estando apaixonade romanticamente, o que gente allo também faz né, mas enfim. Eu já ouvi me falarem que Aro era coisa de gente branca e que de algum jeito a Não-monogamia iria de contra com a ideia de Aro (??). Enfim, só muita opinião sem embasamento que costuma ser informada por capacitismos.”

— Chuva Lua, 22 anos, aro, travesti não-binária e bi.

Tudo isso se interliga, de certa forma, com a sensação de despertencimento também descrita por algumas pessoas. Algumas pessoas aro e ace, por exemplo, têm dificuldade de lidar com outras comunidades LGBTQIA+ por questões pessoais, como a hipersexualização de alguns ambientes, e acabam se distanciando ou se sentindo excluídas da comunidade referente a sua identidade gênero-guiada.

“Eu nunca sofri nenhum preconceito diretamente mas eu nunca me senti muito parte da comunidade lésbica porque parece que é muito sobre sentir atração sexual e querer beijar mulheres e essas coisas, e isso nunca representou a minha vivência.”

— R., 17 anos, lésbica e demissexual. 

“(…) a ignorância de alguns da comunidade sobre o assunto faz com que eles meio que realmente separem a gente da panelinha (que muitas vezes é hipersexualizada) porque veem a gente como “crianças”  ou como “puros” ou precisando de “medicação”.“

— Dylan R., 24 anos, transmasculino, aroace e gay.

De toda maneira, esses casos isolados que apresentamos aqui não representam uma comunidade inteira, por mais que algumas experiências possam ser comuns. Não à toa os números de “sim” e “não” ficaram tão divididos nas respostas acerca de preconceitos em outras comunidades.

A autodescoberta enquanto alguém com múltiplas identidades

Nem sempre a autodescoberta enquanto aro/ace é uma tarefa fácil, como alguém com múltiplas identidades esse processo pode ser confuso e complicado como qualquer outro. Para muites des intrevistades essa descoberta ocorreu de maneira não linear, em que a descoberta como alguém da comunidade aro e/ou ace surgiu anteriormente ou posteriormente a descoberta de uma identidade gênero-guiada da comunidade LGBTQIA+. Uma das dificuldades desse processo é se aceitar como parte de diferentes identidades, e mesmo que parte da sociedade “discorde” ou ignore, reconhecer que uma não anula a outra.

  “Minha descoberta enquanto bi foi há uns bons anos e foi um processo muito complicado. Mas sempre senti que faltava algo, eu não era como as pessoas allo bissexuais que me rodeavam. Daí, ano passado, comecei a ler mais sobre arromanticidade e assexualidade e foi aí que me descobri aroace. No início foi um pouco estranho, eu sentia que estava tomando lugares de outras pessoas ou que era tudo coisa da minha cabeça. Mas com o tempo isso passou e estou feliz de dizer com orgulho que sou aroace bi.”

— Ana Luiza, 20 anos, bi aroace.

A escassez de informação correta sobre a arromanticidade e a assexualidade, assim como dos diversos tipos de intersecções entre orientações gênero-guiadas e as aro/aces, também fazem parte dos obstáculos de se entender como alguém com múltiplas identidades. Em algumas das respostas obtidas podem se encontrar exemplos acerca desse tema:

 “(…) não tem muita informação sobre demissexualidade então foi difícil pra eu me descobrir e também no começo eu não conseguia aceitar de jeito nenhum que eu não era allo, na minha cabeça essas coisas de atração estavam meio confusas. Só depois de pesquisar mais nos lugares certos que não se baseavam em estereótipos que eu consegui entender melhor como era a demissexualidade e me identificar com isso, porque tinha muito esse negócio que você só é demi se você sente atração, se você AMAR a pessoa e achar que ela é o amor da sua vida e tals, e comigo não é assim e também não é assim com todos os demis.”

— R., lésbica e demissexual.

“Me compreendendo como lésbica, eu não entendia porque não sentia atração sexual por pessoas próximas a mim de forma constante, além de breves momentos, mas que não eram o suficiente para me fazer investir/mudar o estado da amizade para amizade com benefícios. (…) Demorei para compreender que não, não tinha nada de errado comigo, embora ninguém da minha volta fosse (ou pelo menos falasse) que também se sentia de forma similar. Que eu não era estranha ou quebrada por não agir como todo mundo agia, mas que diferentemente do que se espera, para mim, é necessária uma troca afetiva mais significativa – ainda que o resultado seja oscilante. E tá tudo bem. De verdade.”

— Naya, 22 anos, mulher negra, lésbica e demissexual.

A partir desse processo de autodescoberta identitária é possível ter uma melhor compreensão sobre o seu próprio modo de se relacionar, assumindo dentro de si o seu espaço como aro/ace também pertencente a uma identidade gênero-guiada da comunidade LGBTQIA+. 

“Eu digo sempre que me descobrir arromântica deu aquele clique na minha cabeça muito maior do que me descobrir bissexual. Explicou uma parte de mim que eu não tinha achado sentido ainda. Sou muito feliz por isso.”

— Giulia Santana, 23 anos, arromântica bissexual.

Considerações finais

Após ouvir essas 16 pessoas que se disponibilizaram a nos emprestar suas vozes na construção desse texto, foi muito interessante refletir sobre como há uma infinidade de possibilidades dentro das vivências assexuais e arromânticas. A forma como as identidades se intercedem, se sobrepõem, se alinham é única para cada pessoa, apesar de semelhantes em diversos aspectos. É nessa semelhança que nos encontramos unides enquanto comunidades e também como parte dessa comunidade maior que celebra neste mês seu orgulho: LGBTQIA+.

Pode ser até que em alguns momentos nós, enquanto aros e aces gênero-orientades, tenhamos dificuldades e passemos por alguma situação ruim em alguma das múltiplas comunidades que nos inserimos, mas no fim sabemos que são casos isolados e que, se alinhando com as pessoas certas vamos com certeza encontrar muito apoio e acolhimento. Assim como para muites a autodescoberta é um processo mais difícil por se encontrar no meio de duas identidades e, como bem sabemos, quase ninguém nos explica que é possível sim que algumas coexistam da sua maneira, expressar esse eclipse de identidades também não é tão fácil. Apesar disso, esperamos que com esse texto outres aros, aces e aroaces possam ter encontrado alguma identificação e conforto, enquanto alorromântiques alossexuais possam ter entendido um pouco melhor acerca da diversidade que rodeia as existências arromânticas e assexuais.

É importante também frisar que aqui tratamos apenas das intersecções relacionadas à vivências aro/ace gênero-guiadas lésbicas, gays e multi, porém a identidade gênero-orientada também pode ser heterossexual, heterorromântica ou heteroafetiva e isso não faz da pessoa aro/ace em questão menos queer. Da mesma maneira, muitas outras questões atravessam as múltiplas realidades arromânticas e assexuais: raça, classe, gênero, neurodivergências, deficiências etc. Inclusive questões relacionadas a elas também apareceram em alguns relatos recebidos, evidenciando mais ainda o quão necessário é levantar debates sobre, também, esses outros atravessamentos em textos futuros.

“Eu também sou uma mulher negra  e eu sinto (ao mesmo tempo que penso que é coisa da minha cabeça) que por ser aro as pessoas acham que eu não sinto “a solidão da mulher negra” com tanta força. Mas existe mais nesse conceito do que somente a solidão romântica. Existe as piadinhas que a gente ouvia na escola, a exclusão dos grupos de amigos, o fato de que a gente sempre parece “agressiva”, mesmo quando está se sentindo simplesmente inadequada. Eu não me sinto sozinha quando vejo fotos de casais no dia dos namorados, mas eu me sinto sozinha quando parece que ninguém entende porque um segurança do shopping me seguiu e quando tem gente que nem acredita em mim. A solidão da mulher negra existe MESMO quando você não tem interesse em relacionamentos românticos.”

— Giulia Santana, 23 anos, arromântica bissexual. 

Desejamos a todes um feliz Mês do Orgulho e deixamos de sugestão para uma próxima leitura o texto “A experiência de ser ace, aro ou aroace e não-branque” de Nikki!


Agradecimento especial a Chuva Lua, Gabriela, Ana Luiza, Dylan R., Alice/Zolushi, Thomas William, Ravena Nzuri, J., Lizz, Brias Ribeiro, R., Geovanna, Naya, Isadora, Kaya e Giulia Santana por nos ajudarem com suas respostas e, assim, permitirem que esse texto fosse bem estruturado e escrito! 

fundo azul com estrelas e uma mini bio de Lori: Lori é uma pessoa bi-aroace de 20 anos, estudante de psicologia na UERJ e que, nas horas vagas, escreve contos com representatividade LGBTQIA+, principalmente da letra A
Por Giovanna
fundo azul com estrelas e uma mini bio de Eloah: Eloah Nobre tem 18 anos e é bi e demissexual, quanto a ser bissexual e birromântica é um incógnita, É amante de gatos e escrever poesias nas horas vagas.
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