Preconceito e Violência com Pessoas Assexuais no Contexto Médico

Escrito por Lori A. | Revisado por Ravi Pires

Ultimamente, temas como a heteronormatividade e a cisnormatividade tem aparecido bastante em debates, tanto em meios mais acadêmicos como no senso comum, porém, para além disso, temos também a frequentemente esquecida alonormatividade. Da mesma forma que a heteronormatividade é a norma da heterossexualidade compulsória — onde há a ideia original de que todas as pessoas são heterossexuais (NASCIMENTO, 2010) — e a cisnormatividade é a norma da cisgeneridade também como algo compulsório — crença de que todas as pessoas são essencialmente cisgênero —, temos como alonormatividade a noção de que toda pessoa é primordialmente alosexual, ou seja, presume-se que todas as pessoas necessariamente vivenciam plenamente experiencias de atração sexual e romântica (MOLLET & LACKMAN, 2022).

O termo “alo”, nessa definição de “alonormatividade”, tem origem no grego, significando “o outro”, “o diferente”. Essa terminologia foi adotada nos anos 2010 por comunidades assexuais e arromânticas para se referir a pessoas que não sejam assexuais e/ou arromânticas — sendo o “não assexual”, o alossexual, e o “não arromântico”, o alorromântico (TESAURO SOBRE ORIENTAÇÃO SEXUAL E IDENTIDADE DE GÊNERO, 2020). O motivo para a escolha desse termo, de significado “outro”, não é totalmente exato, mas podemos teorizar que venha justamente da ideia de que os indivíduos assexuais e arromânticos, por estarem fora dessa norma, são geralmente colocados nesse local da outridade, da exceção à uma “regra da natureza”, então o termo por si só traz uma carga crítica ao colocar justamente quem está na norma como “o outro”. Termos alternativos, como apenas “sexual” ou simplesmente “não assexual”, também já foram usados para se referir a pessoas alossexuais, porém são cada vez menos presentes e até criticados, por gerarem confusão e não terem o mesmo impacto crítico que alossexual (FERGUSON, 2019). 

Levando em conta esse contexto de uma visão de mundo predominantemente cis, hetero e alonormativa, as sexualidades e expressões de gênero dissidentes da norma foram, e infelizmente muitas vezes ainda são, historicamente patologizadas. De uma forma bem resumida, podemos dizer que essa situação das identidades LGBTQIA+ serem constantemente vistas como doenças passíveis de algum tipo de cura provém justamente de um entendimento das vivências desses sujeitos sendo taxadas como “não naturais”. Partindo-se dessa noção equivocada de que exista uma “sexualidade natural” — a hetero e alossexual — gera-se um pensamento ignorante de que tudo que está fora dela é considerado como um erro, e esse pensamento acaba sendo ensinado para e reproduzido por muitos profissionais da saúde ao abordar questões ligadas à sexualidade ou gênero (DUARTE, 2014).

Nos centrando especificamente no recorte da assexualidade e seu percurso histórico, a patologização, e consequentes tentativas de “cura” através de terapia e medicalização, sempre estiveram presentes e, apenas bem recentemente, mais especificamente após a primeira Conferência Assexual Internacional na 2012 World Pride em Londres, foi efetivamente fortalecida uma luta para pressionar uma modificação no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-V). Havia no Manual uma brecha na descrição do “Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo” que permitia que médicos, psicólogos e terapeutas em geral enquadrassem a assexualidade como uma manifestação desse transtorno e tratasse-na médica e terapeuticamente. Hoje, há no Manual uma nota com uma exceção afirmando que pessoas que se autoidentifiquem como assexuais não devem ser diagnosticadas e tratadas erroneamente (AMETHISTA, 2020).

De acordo com Amethista (2020),

Essa mudança só ocorreu pois, anos antes, em 2008, o ativista e criador da AVEN, David Jay, se encontrou com Mara Keisling, a diretora executiva do National Center for Transgender Equality, que sugeriu à comunidade assexual tentar entrar em contato com o comitê do DSM-V e discutir mudanças na categoria das desordens sexuais. A partir disso, Jay criou um grupo com outros usuários da AVEN para promover esse diálogo em busca de alterar a definição do Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo (HSDD). O resultado, claro, foi positivo

Porém, mesmo com essa grande vitória, no Código Internacional de Doenças (CID-10), amplamente utilizado como referência por profissionais da medicina, a assexualidade permanece podendo ser enquadrada como Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo. E ainda fora das categorizações de manuais profissionais, essa visão alonormativa que desloca a assexualidade para o campo da doença, do transtorno, da patologia em geral, faz com que tenhamos resultados assustadores aparecendo em pesquisas como a National LGBT Survey do Government Equalities Office (2018) do Reino Unido. Ainda que a pesquisa seja reduzida apenas à população inglesa, é uma das poucas dessa amplitude que levam em consideração a assexualidade e que trazem dados concretos sobre a oferta de terapia de reorientação sexual, mais conhecida no senso comum como “cura gay”, em relação a assexualidade (AMETHISTA, 2020).

Nos resultados dessa pesquisa temos, por exemplo, que pessoas assexuais cisgênero são as que mais receberam ofertas de terapia de reorientação sexual, prática que no Brasil é proibida. Outrossim, a pesquisa também mostra que pessoas assexuais cisgenero são as que apresentam maior dificuldade de se abrir, mesmo que com amigos e familiares próximos, acerca de sua sexualidade, em comparação com outras pessoas de sexualidades dissidentes da heteronorma.

Diante desse contexto anteriormente apresentado, somado a uma escassez geral de debate sobre essa temática envolvendo a assexualidade, principalmente no Brasil, surgiu então uma demanda por parte do Aroaceiros de fazer um levantamento referente a situações de preconceito e violência vivenciados por pessoas assexuais no contexto médico. Para isso, trabalhamos com uma noção de violência relacionada a uma relação hierárquica, de poder e, principalmente, de superioridade de saber. 

Nesse sentido, Aguiar, d’Oliveira e Schraiber (2013) vão afirmar que

No âmbito das práticas de saúde, o poder é exercido numa relação hierárquica por definição, a relação profissional/paciente. No topo dessa hierarquia está o médico como aquele que detém a maior autoridade técnico-científica sobre o corpo. Autoridade que legitimamente é estendida somente a esse plano – técnico-científico – uma vez que no plano moral, ambos os sujeitos, profissional e paciente, encontram-se em situação de igualdade

Com isso, apresentaremos ao longo deste artigo dados, relatos e reflexões acerca das consequências desse saber médico pedestalizado em intersecção com uma identidade invisibilizada e pouco conhecida. Algumas das questões que permeiam essa discussão são: como uma categoria que está sempre sendo colocada em um lugar de um saber inquestionável lida com a aparição de sujeitos que desafiam suas crenças? Como visões preconceituosas internalizadas por profissionais médicos podem colocar em risco a saúde de pessoas assexuais? Quais as consequências dessas microagressões sofridas dentro do consultório médico na confiança de pessoas assexuais para com esses profissionais?

Método

Para realizar essa pesquisa, primeiramente construímos um formulário para ser aplicado de forma virtual. Esse formulário foi constituído de diversas seções de questões abarcando tanto a assexualidade como a arromanticidade e experiências com profissionais da psicologia além de médicos. Porém, aqui será discutido primordialmente apenas o recorte da assexualidade em intersecção com o campo da medicina.

Na primeira seção foi apresentada a pesquisa, seus objetivos, possíveis riscos e a garantia de anonimato dos respondentes. Já na segunda seção foi aplicado um questionário sociodemográfico que coletou tanto respostas sobre idade, estado, autoidentificação de gênero, autodeclaração racial e situação econômica, como sobre qual(is) a(s) identidade(s) assexual e/ou arromântica e se a pessoa é assumida em relação a isso. A terceira seção, que será trabalhada neste artigo, contou com 15 perguntas, sendo 7 discursivas e 8 de múltipla escolha, possuía perguntas sobre experiências pessoais, enquanto pessoa assexual, com profissionais da medicina ou em ambientes médicos. As seções de 4 a 6 focavam em aspectos referentes a arromanticidade ou a experiências assexuais com profissionais da psicologia, finalizando-se o formulário com a sétima seção que trazia a declaração de consentimento em participar da pesquisa e uma lacuna para comentários gerais.

Resultados e Discussão

O formulário ficou aberto do dia 07 de outubro de 2021 até o dia 24 de outubro do mesmo ano, totalizando 129 respostas.

Em relação à idade, 45 pessoas (34,9%) tinham entre 13 e 17 anos, 80 (62%) tinham entre 18 e 30 anos e apenas 4 (3,1%) pessoas tinham mais de 30 anos, tendo elas 31, 35, 36 e 38 anos respectivamente. Logo de início fica evidente que a faixa etária dos respondentes tendeu a ser majoritariamente de jovens-adultos, tendo pouquíssimas pessoas acima dos 30 e nenhuma acima dos 40 anos. 

O número não surpreende muito, visto que a visibilidade assexual é escassa nas mídias e quando pouco é abordada geralmente é por meio de livros e séries voltadas a esse público juvenil.

Outra questão que pode justificar o baixo número de respondentes mais velhos é também um fator geracional e cultural. Além do pouco debate que há acerca da assexualidade mais dificilmente alcançar pessoas de faixa etária mais velha, há também a situação dessas pessoas pertencerem a uma geração que, principalmente no Brasil, sofreu muito mais com censuras de suas possibilidades de expressão de qualquer dissidência sexual e de gênero. 

Quanto ao estado em que residem, os cinco mais frequentemente citados foram: São Paulo (36), Rio de Janeiro (13), Paraná (13), Minas Gerais (11) e Rio Grande do Sul (11). Nota-se que todos esses estados estão justamente localizados no eixo sul-sudeste.

Analisando os estados por região, foi muito evidente uma maior concentração de respostas no sudeste, totalizando 62 respostas (48,1%) seguido do sul, com 29 respostas (22,5%), nordeste, com 27 respostas (20,9%), centro-oeste, com 9 respostas (7%) e norte com apenas 2 respostas (1,6%). Um dos motivos que poderia explicar essa diferença tão brusca é tanto uma questão de densidade populacional por estado como de facilidade de acesso a internet, considerando que o questionário foi aplicado apenas virtualmente. 

Tratando-se do Gênero, o questionário continha as seguintes opções: mulher cisgênero, homem cisgênero, mulher transgênero, homem transgênero, trans não-binário e outro. Dessas, a grande maioria eram mulheres cisgênero (76), seguido de pessoas não-binárias (42), homens cisgênero (5) e homens trans (3). Nenhuma mulher trans respondeu à pesquisa e 3 afirmaram estar questionando/não saber responder em “outro”.

Um dos fatores que pode levar a grande maioria dos respondentes serem mulheres cisgêneros fica evidente mais adiante quando, ao analisar as respostas referentes a relatos de experiência, percebemos que a grande maioria das situações descritas ocorreram com ginecologistas. Apesar disso, surpreende o baixo índice de respostas de pessoas trans binárias, homens e mulheres, o que nos leva a abrir um questionamento acerca desse número não ter sido maior devido à uma menor quantidade de pessoas trans binárias se identificando enquanto assexuais ou por alguma outra questão, como um evitamento de serviços médicos.

Sobre a autodeclaração racial, a imensa maioria dos respondentes eram brancos (91), seguido de pardos (27) e negros (11). Não houveram respostas de indígenas e amarelos. 

É importante, porém, contextualizar que, ao formular o questionário, foram utilizados os critérios do IBGE para autodeclaração racial, porém esse critério é aberto a críticas, principalmente referente a categoria “pardo”. Historicamente essa definição abrangente acaba gerando o apagamento de dados acerca de pessoas negras e indígenas, já que muitos dos negros de pele clara e dos indígenas não aldeados acabam mesclados nessa categoria.

Quanto à gritante predominância de respostas brancas e total ausência de pessoas indígenas e amarelas, explica-se essa situação pelo próprio debate acerca das assexualidades ser em si muito centrado em uma vivência branca. Se as demandas assexuais como um todo já são invisibilizadas, as demandas de pessoas negras, indígenas e amarelas assexuais são ainda mais ignoradas.

Referindo-se à classe social na qual essas pessoas se encontram, o que diz muito sobre as possibilidades dessas experiências médicas terem ocorrido em serviços de saúde pública ou privados, a maioria se descreveu enquanto classe média (87 pessoas). 24 eram classe baixa, 17 classe média-alta e apenas 1 se definiu enquanto classe alta. 

Partindo para perguntas mais voltadas à identificação enquanto assexual, arromântico ou arromântico-assexual, 76 dos respondentes declararam estar nos dois espectros (arromântico e assexual), 47 declararam estar apenas no espectro assexual e 6 declararam estar apenas no espectro arromântico.

Das pessoas assexuais, 71 declararam estar na área cinza, que é onde se encontram as identidades referentes à parcial ou condicional atração sexual, como demissexual, gray-A, aceflux, aegossexual entre outras. 52 afirmaram serem assexuais estritos, ou seja, não sentem atração sexual em nenhuma circunstância.

Na pergunta, de resposta opcional, sobre quais são as identidades dessas pessoas assexuais dentro do espectro assexual, obtivemos 73 respostas, sendo que 8 pessoas responderam se identificar com mais de uma identidade assexual, 10 não tinham certeza de suas identidades, 4 não responderam uma identidade ace e 3 se definiram apenas como assexuais, sem qualquer especificação.

Dentre as respostas específicas obtivemos 21 demissexuais, 17 gray-A, 8 aceflux, 7 aegossexuais, 3 assexuais estritos, 2 quoissexuais, 1 acespike, 1 litossexual, 1 fictossexual e 1 autossexual. Em referência aos que responderam não ter certeza, todos os 10 respondentes afirmaram estarem questionando alguma identidade, sendo elas: demissexual (5), aceflux (2), gray-A (2) e assexual estrito (1).

Por fim, em relação a ser assumido ou não sobre a própria assexualidade, as respostas foram: sim, para um pequeno grupo de pessoas (64); sim, para um grande grupo de pessoas (26); não, e não acho necessário me assumir (16); sim, para todas as pessoas (9); não, mas gostaria de ser (7); e apenas na internet (1). 

Partindo para a seção com perguntas acerca do tema desse artigo em si, primeiro foi necessário contextualizar com algumas perguntas mais gerais, dentre elas se as pessoas possuem plano de saúde, problemas de saúde crônicos que necessitam de tratamento constante e a frequência em que visitam profissionais da medicina. Para a primeira resposta 82 pessoas (66,7%) responderam ter plano de saúde, enquanto 41 (33,3%) não possuem. Sendo assim, deduz-se inicialmente que a grande maioria das experiencias aqui descritas se referem a serviços de saúde privados, o que posteriormente se confirma quando, ao perguntarmos onde ocorreram as experiências de preconceito e/ou violência sofridas, 17 (58,6%) pessoas responderam ser em consultório particular, 3 (17,2%) em ambiente hospitalar da rede privada e 7 ( 25,2%) em ambiente hospitalar da rede pública.  

Em relação à segunda pergunta, apenas 21 pessoas (16,9%) responderam ter algum problema de saúde crônico que necessite de tratamento constante, o que se reflete na pergunta seguinte sobre a frequência de consultas com médicos.

De 123 respostas totais, 31 (25,2%) responderam que vão ao médico a cada 6 meses, 30 (24,4%) responderam não ter regularidade na frequência, 24 (19,5%) responderam ir uma vez por ano, 19 (15,4%) responderam ir a cada 3 meses, 11 (8,9%) responderam ir a cada 2 meses, 6 (4,9%) vão mais de uma vez por mês, 1 (0,8%) vai uma vez por mês e 1 (0,8%) respondeu que depende da situação.

Quando perguntadas sobre ter contado a algum médico sobre ser assexual 82 pessoas (67,8%) afirmaram nunca ter contado, enquanto 20 (16,5%) disseram que não, mas gostariam de contar e 18 (14,9%) responderam que já contaram. Uma pessoa respondeu que contou indiretamente. 

Em seguida, abrimos espaço para que as pessoas elaborassem mais dessas experiências de “saída do armário” para um médico com a pergunta “caso a resposta seja sim, o que te levou a contar e como você descreveria a reação desse profissional?”. 16 pessoas responderam, algumas vezes relatando mais de uma experiência na mesma resposta. Quanto aos profissionais citados nessas respostas, foram: ginecologista (8 vezes), psicóloga (3 vezes), psiquiatra (1 vez) e hebiatra (1 vez).

Ao analisar as respostas recebidas, optamos por dividi-las em “ruins”, quando houve uma situação de preconceito, microagressão e/ou violência, “neutras”, quando não houve uma descrição de ocorrência, e “boas”, quando houve descrição de uma reação respeitosa e compreensiva por parte do profissional. No total tivemos então 3 experiências neutras, 3 experiências boas e 10 experiências ruins. Alguns dos relatos abaixo:

“Tanto a ginecologista quanto o psiquiatra trataram com descrédito, invalidando a assexualidade como orientação de gênero; “apenas um problema psicológico”.” — Experiência ruim

“Foi a minha psicóloga que me apresentou o espectro, então ela reagiu bem quando afirmei me descobrir.” — Experiência boa

“Mencionei por cima para o ginecologista, ele disse que não tinha problema eu me “resguardar” (acho que ele entendeu que eu era virgem, e eu não sou)” — Experiência ruim

“Sofri abuso psicológico por parte do meu então namorado por me assumir, e isso, mais o próprio processo de autoaceitação, prejudicou a minha saúde (fiquei com sequelas físicas, inclusive), então os médicos perguntavam se havia algum evento que tivesse servido de gatilho para os problemas de saúde que tive. Tinha de contar, não havia muito jeito. A reação dos médicos foi bem tranquila nesses casos – alguns até demonstraram uma curiosidade sobre o espectro assexual.” — Experiência boa

Foi perguntado também às pessoas que responderam que não contaram sobre serem assexuais aos seus médicos, mas gostariam, o que as leva a considerar importante contar. Foram recebidas 22 respostas, e dentre elas algumas nos chamaram bastante atenção, justamente por abordarem questões que aparecem com alguma frequência em espaços de discussão assexual, como o “Alô Aroace”, organizado pelo Aroaceiros, quando o assunto saúde vem à tona. 

Algumas das temáticas citadas foram: 

  1. medicalização desnecessária ou incorreta;

“Como faço tratamento com remédios, entre tantos medicamentos, minha médica me deu um que ela considera melhor caso eu queira engravidar (ela não chegou a me contar isso, fiquei sabendo por outro médico da mesma área), gostaria de contar que sou assexual e que ela não precisa se preocupar com nada disso. Isso em apenas um dos casos, já passei por terapia com psicóloga, tinha muita vontade de falar a respeito da minha sexualidade, pq eu sabia que era importante ela ter essa informação, porém muito receio também de como ela iria reagir. Agora vou começar a frequentar ginecologista, procuro nem pensar muito a respeito.”

“Para evitar insistência em tratamentos e exames desnecessários para pessoas que não são sexualmente ativas. Já que todos esperam que mesmo que nunca tenha transado, eu ainda vá fazer isso um dia, inevitavelmente.”

  1. desconforto em relação a perguntas íntimas e a insistência em algumas dessas perguntas;

“Algumas vezes me sinto desconfortável com algumas perguntas”

  1. descrença em relação a não ter uma vida sexual ativa;

“Me sinto frequentemente desconfortável, principalmente no ginecologista, de ter que reafirmar sempre que não tenho uma vida sexual ativa, que sou virgem etc. Todas as vezes eu tenho a sensação de que os médicos pensam que estou mentindo ou algo do tipo por eu ter 20 anos e nunca ter namorado ou tido relações sexuais.”

  1. evitar pensamentos pré-definidos normativos;

“Sabendo o quão importante a relação médico paciente é, acredito ser importante que elu entenda minhas escolhas e que não faça julgamentos e decisões baseadas na heteronormatividade”

  1. precisão de diagnóstico, sem confundir características referentes a assexualidade com problemas de saúde, como o Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo citado na introdução do texto;

“Penso que trazer a questão a médicos como ginecologistas seja importante. Logo que é preciso saber de tais aspectos da minha vida para chegar a algum tipo de diagnóstico mais preciso.”

“Não gostaria que a minha assexualidade fosse confundida com um problema biológico/psicológico.”

  1. abordagem correta das demandas da paciente

“Em alguns casos pode ser relevante para que a abordagem do médico seja a mais adequada possível, como no caso de ginecologistas, por exemplo.”

  1. realização de exames que muitas vezes são negados pela pessoa ser “virgem”

“Poder realizar exames médicos que exigem “não possuir virgindade””

  1. visibilidade 

“Acho importante contar para que o médico me entenda mais (principalmente médicos da área como ginecologista.) e que faça com que essa discussão seja mais frequente nos ambientes da saúde.”

“Acho que por algumas questões como visibilidade porque parece que mesmo na área da saúde as pessoas não sabem disso ou ignoram e acham que não existe dando desculpas acefóbicas. Talvez para evitar perguntas desconfortáveis ou reformulação de perguntas mais inclusivas e também pode afetar o diagnóstico em algumas ocasiões. E, caso o profissional não saiba, gostaria de explicar para ele também buscar mais informações porque ele pode ajudar outras pessoas que sejam ace e não sabem que isso existe e se sintam “errados” ou “quebrados”.” 

É importante pontuar como especificamente a medicalização e preocupação com a patologização de características referentes à identidade assexual aparecem com certa frequência, seja diretamente citadas ou subentendidas no discurso. Situações como a descrença de profissionais ao lidar com pessoas que se afirmam “virgens” após uma certa idade representam microagressões permeadas por um pensamento alonormativo de que é “natural”, de que “faz parte do curso da vida” que todo indivíduo vá necessariamente ter uma vida sexual ativa após adentrar na idade adulta. O que foge disso é ridicularizado, visto como mentira ou como problema de saúde à ser medicalizado. 

Ao se abrir com o médico sobre a assexualidade, caso o profissional seja ético, respeitoso e suficientemente instruído para compreender o que é essa sexualidade, imagina-se que seja possível impedir grande parte dessas pressuposições errôneas e que podem levar a tratamentos incorretos, desnecessários ou a ausência de algum tratamento. 

Outra situação que chama atenção foi o demonstrado na primeira resposta acerca da medicalização desnecessária ou incorreta (1), de um profissional estar tomando decisões acerca de uma medicação sem considerar a paciente sobre a necessidade disso, que no caso não era uma especificidade necessária.

Aprofundando mais esse contexto de situações de preconceito e/ou violência, foi perguntado então sobre ter passado por alguma situação do tipo referente a ser assexual em alguma consulta médica. Das 123 respostas recebidas: 79 (64,2%) nunca mencionaram ser assexuais em uma consulta, 19 (15,4%) não sabem mas suspeitam que sim, 15 (12,2%) nunca passaram, 5 (4,1%) passaram mais de duas vezes e 5 (4,1%) passaram apenas uma vez.

Dessas pessoas que passaram ou suspeitam ter passado, 24 descreveram como foi a situação. Novamente os temas listados anteriormente retornam nesses relatos, dessa vez com experiências de violência mais explícita, algumas ultrapassando o campo das microagressões. Escolhemos 10 relatos que demonstram mais descritivamente situações variadas e algumas ainda não citadas no artigo, como de serviços de saúde voltados a população LGBTQIA+ não sendo acolhedores com pessoas assexuais, de quebra de sigilo médico e de ligações da assexualidade à religiosidade ou à situações traumáticas não relacionadas. 

“Quando informei a uma profissional ginecologista que era virgem, esta prosseguiu elogiando-me por “aguardar meu varão”. Fez diversas referências religiosas à minha falta de experiência sexual durante toda a consulta, sendo que o motivo de ser é intimamente ligado a minha sexualidade (que, assim, não me senti confortável em divulgar). Não foi uma situação provocada por eu ter compartilhado minha sexualidade, mas a implicação da profissional foi bem angustiante para mim.”

“Embora não seja um preconceito explícito, uma ginecologista que eu frequentava ficava perguntando o tempo todo “quando eu ia tomar” uma certa vacina contra IST (caríssima, por sinal), mesmo depois de eu dizer que não estava em um relacionamento e desconversar. E como sempre, ela agia como se eu entrar num relacionamento fosse inevitável. É possível que ela não reagisse tão mal se eu dissesse a verdade completa, mas eu não conto com isso. A ignorância a respeito da assexualidade ainda é muito grande.”

“Houve uma vez em que a minha psicóloga me encaminhou para um ambulatório psiquiátrico voltado a pacientes LGBTQIA+ pois fui diagnosticada com Transtorno Dismórfico Corporal (TDC) e era necessária medicação para distúrbios alimentares resultantes do transtorno. O médico foi super paciente e atencioso mas, assim como a minha psicóloga, não tinha conhecimento sobre assexualidade. Particularmente senti durante toda a consulta que estava “no lugar errado” pois o fato de ser uma pessoa assexual foi basicamente ignorado e questionado. “Você tem certeza?”, “Você não acha que você se considera assexual por conta do seu transtorno? Se você não tivesse esses transtornos, você provavelmente não diria mais que é assexual, não é?” foram questionamentos feitos num tom de dúvida. Não sei como funciona o processo para abordagem ao paciente, mas senti que não fui 100% compreendida nesse ponto precisamente já que em relação ao distúrbio alimentar, correu tudo bem durante as perguntas. Não continuei o tratamento por me sentir envergonhada e não pertencente a comunidade LGBTQIA+.”

“Meu psiquiatra pareceu achar que meu desinteresse em relações sexuais é só pelo meu trauma de abuso.”

“Numa consulta com a minha antiga oftalmologista, que me conhecia desde criança, contei sobre o fim do meu namoro. Ela também atendia a minha mãe, que semanas depois, foi se consultar com ela e voltou contando que a médica perguntou o que ela achava da minha assexualidade. Fiquei revoltada – a confidencialidade médico-paciente, ela tinha enfiado onde?”

“A ginecologista propôs um exame preventivo (papanicolau) supondo que eu era sexualmente ativa. Quando contei que era virgem (sem mencionar a assexualidade) ela disse que não era necessário”

“Quando eu disse que não tinha interesse, ginecologistas já me disseram que era porque eu era muito nova e que ainda não tinha encontrado alguém, mas que deveria tentar porque “é saudável, faz bem pro corpo”. Eu eventualmente tentei e não gostei, mas quando digo que já fiz e não quero mais respondem “você vai ter outras oportunidades, ainda não encontrou a pessoa certa”. ainda tem a heteronormatividade porque por eu ser mulher sempre acham que foi com um homem e por ter sido sem penetração não consideram que foi “sexo de verdade”. Além disso, quando comentei que queria tirar meu útero (tenho histórico na família de câncer e já tive microcistos) logo disseram que eu era nova pra decidir não ter filhos e me perguntaram o que meu namorado achava disso, mesmo depois que eu disse que nem queria ter namorado nem praticar qualquer atividade que me levasse a engravidar naturalmente continuaram falando que eu ainda não encontrei a pessoa certa. Nunca usei os termos porque não queria ter que explicar todos os detalhes, mas deveriam entender e respeitar quando eu digo que não quero e não gosto.”

“Em duas consultas ginecológicas – uma de rotina e outra de retorno -, mencionei sobre não desejar ter relações sexuais em nenhum momento e a profissional riu em ambas as vezes. Reiterou a pergunta na segunda vez a fim de insistir que eu ainda teria oportunidades para mudar de ideia, que ainda sou “muito jovem”.”

“Eu estava com dor e queria eliminar algumas coisas tipo endometriose. Quando ele ouviu que eu era virgem falou que era ridículo que os técnicos iriam humilhar ele por mandar uma virgem para ultrassom. Ele ficou com um tom de voz agressivo. Eu tinha 18 ou 19 anos e não volto mais em um ginecologista.”

“não foi exatamente comigo, foi com terceires. Trabalho na área da saúde e já ouvi muitas besteiras aroacefobicas, como acharem que nós aroaces somos estranhes, temos algum problema hormonal ou até mesmo que fomos assediades/estuprades e por isso somos assim.”

Essas mesmas pessoas também especificaram, na pergunta seguinte, a especialidade desses profissionais, algumas delas listando mais de um profissional. Considerando que a maioria das respondentes foram mulheres cisgênero, é uma consequência esperada que a especialidade mais listada seja a ginecologia (17). Evidencia-se então que é urgente que profissionais dessa área tenham acesso a informações básicas sobre assexualidade.

Ao serem perguntadas sobre o fato de ser assexual poder ter afetado, de alguma forma, a relação da pessoa com ambientes de saúde e consultas médicas, obtivemos 122 respostas totais. Dessas, 50 pessoas afirmaram nunca terem pensado sobre isso antes, 31 afirmaram que sim, afetou, mas mesmo assim vão ao médico, 25 responderam que não afetou, 8 responderam que sim, afetou, e não vão ao médico por isso e 7 marcaram a opção “outros”.

Dos que marcaram “outros”, 3 citaram ter receio de ir especificamente a ginecologistas e 1 mencionou ter medo de se consultar com psicólogo, apesar de não terem problemas com outros profissionais da saúde.

A mesma questão foi feita também especificamente para pessoas que tenham passado por situações de preconceito em ambientes médicos e algo notável em muitas das 21 respostas recebidas foi que essas situações levaram as pessoas a terem um comportamento de esquiva e negligenciarem a própria saúde por um medo de serem invalidadas e patologizadas dentro de consultórios novamente, tendo apenas uma resposta afirmando que não mudou.

“Tiveram umas 3 consultas ginecológicas que não me senti bem. A última foi em 2018 e nunca mais voltei. Mas não por sentir discriminação e sim por sentir desconforto com os exames de ultrassom intravaginal e coleta para o preventivo. Na coleta o médico me machucou, cheguei a sangrar e me senti muito mal.”

“Não me consulto mais, prefiro ficar com dor a encarar o profissional e ser humilhada”

“Me deixou mais receosa em buscar atendimento e passar pela mesma coisa, ou ser mal interpretada.”

Além disso, fica evidente em alguns relatos uma certa hostilidade com a visão da pessoa com a classe médica em geral, como nesses relatos:

“Sei que eles não vão entender minha orientação por serem limitados, então passo a usar os serviços deles com a mesma descrença e cinismo, sem falar da assexualidade, só me consultando pra conseguir alguma receita de algum remédio que eu já conheça, etc. Não tem como confiar plenamente em profissionais tão limitados.”

“Passei a não me abrir e falar menos possível com eles, se duvidavam da minha resposta eu apenas ignorava. No fim das contas não adianta discutir com quem acha que sabe.”

“Depois da ginecologista grossa e estúpida, passei a tratar mal todos os médicos que queriam mexer nas minhas taxas de hormônio”

“Os que acham que sabem” “Não querem te ouvir, não adianta falar” “Passei a tratar com grosseria todos que me invalidam” etc. Muitos também desistiram de falar sobre suas questões referentes à assexualidade com outros médicos. É algo que requer muita coragem e quando você finalmente consegue, repentinamente tudo desaba. 

Contudo, a grande maioria das respostas rumou para uma resolução de apenas não mencionar mais o assunto com futuros profissionais ou sentir uma ansiedade antes de consultas médicas por cogitar mencionar novamente.  Se abrir sobre a própria sexualidade é algo que requer muita coragem e, quando você finalmente consegue, repentinamente receber uma resposta desagradável e preconceituosa somente reforça mais ainda mecanismos de defesa.

Por fim, foram realizadas duas perguntas, uma de múltipla escolha e uma discursiva:

  1. “você acha que profissionais de áreas médicas são mal informados acerca da assexualidade?”;
  2. e “o que você espera de um profissional da medicina em relação a assexualidade?”

Para a primeira, a resposta chegou quase a unanimidade em no “sim”, contando com 117 (95,9%) das 122 respostas. Apenas 5 (4,1%) das pessoas votaram em “não”, discordando que profissionais de áreas médicas sejam mal informados sobre questões da assexualidade. 

Já em relação a pergunta final, foi a que obtivemos mais respostas discursivas, totalizando 102. Dentro dessa imensamente satisfatória quantidade de respostas, com exceção de três, que elaboraram um ponto de vista negativo do que se imagina que vá ocorrer na realidade ao buscar um médico afirmando ser assexual, os depoimentos em geral trouxeram termos e ideias em comum.

Diante disso, analisamos as respostas uma a uma para identificar quais foram essas palavras, seus sinônimos também mencionados, ideias desenvolvidas através de exemplos e frases mais extensas e as resumimos em conceitos que as abrangem em um termo só. Como resultado obtivemos 15 conceitos:

  1. Respeito
  2. Conhecimento/Informação
  3. Não patologização
  4. Compreensão
  5. Entendimento
  6. Aceitação
  7. Reconhecimento
  8. Acolhimento
  9. Empatia
  10. Indiferença
  11. Naturalidade
  12. Abertura
  13. Confiança
  14. Escuta
  15. Segurança

Com esses conceitos predefinidos, contabilizamos a frequência de aparição deles em cada resposta e construímos, através da plataforma “Word Clouds”, uma nuvem de palavras, que classifica as palavras mais ou menos presentes por uma escala de tamanho:

Em síntese, após essa longa exposição de dados, relatos pessoais, análises e críticas, torna-se evidente uma necessidade de maior difusão de conhecimento acerca da assexualidade, principalmente em cursos de medicina ou eventos que visem o público médico. Como já diz magnificamente a ilustre Malala Yousafzai em uma de suas citações mais famosas — justamente por ser muito pertinente —, “não há melhor arma do que o conhecimento, e não há melhor fonte de conhecimento do que a palavra escrita.” E é por isso que finalizamos esse texto com uma dois convites: o primeiro é que retornem as três perguntas levantadas ao final da introdução e tentem respondê-las munides de todo o conhecimento aqui escrito. O segundo é que falem e escrevam sobre assexualidade quando puderem, sejam vocês assexuais ou alossexuais. Principalmente pesquisadores, acadêmicos, jornalistas, pessoas da mídia e semelhantes, entrem em contato com outras pessoas assexuais, produzam e disseminem conhecimento sobre.

Os dados coletados para realização dessa pesquisa estão disponíveis para consulta por quaisquer pesquisadores interessades em trabalhá-los. Para solicitá-los basta escrever um e-mail para amethistart@gmail.com ou entrar em contato com o Aroaceiros demonstrando seu interesse e explicitando qual o uso pretendido desses dados. 

Referências bibliográficas

AMETHISTA, Lori. HISTÓRIA DA ASSEXUALIDADE. Recort., Brasil, 29 out. 2020. Disponível em: https://recortcanal.com/historia-da-assexualidade/#:~:text=Assexualidade%20na%20Ciência,sobre%20sexualidade%20dentro%20da%20sexologia. Acesso em: 4 abr. 2022.

DE AGUIAR, Janaina Marques; D’OLIVEIRA, Ana Flávia Pires Lucas; SCHRAIBER, Lilia Blima. Violência institucional, autoridade médica e poder nas maternidades sob a ótica dos profissionais de saúde. Cad. Saúde Pública, São Paulo, ano 2013, v. 29, n. 11, p. 2287-2296, nov. 2013.

DUARTE, Marco José de Oliveira. DIVERSIDADE SEXUAL, POLÍTICAS PÚBLICAS E DIREITOS HUMANOS: SAÚDE E CIDADANIA LGBT EM CENA. Temporalis, Brasilia, ano 2014, v. 14, n. 27, p. 77-98, jan. 2014.

FERGUSON, Sian. What Does It Mean to Be Allosexual?. Healthline, [S. l.], 21 nov. 2019. Disponível em: https://www.healthline.com/health/allosexual#common-characteristics. Acesso em: 4 abr. 2022.

GOVERNMENT EQUALITIES OFFICE (Reino Unido). National LGBT Survey: Research Report. 1. ed. Reino Unido: [s. n.], 2018. 304 p. v. 1. ISBN 978-1-78655-671-4. Disponível em: https://assets.publishing.service.gov.uk/government/uploads/system/uploads/attachment_data/file/721704/LGBT-survey-research-report.pdf. Acesso em: 4 abr. 2022.

MOLLET, Amanda L.; LACKMAN, Brian. Allonormativity and Compulsory Sexuality. In: STRUNK, Kamden K.; SHELTON, Stephannie Anne. Encyclopedia of Queer Studies in Education. 1. ed. [S. l.]: Brill, 2022. cap. 6, p. 26-30. ISBN 978-90-04-50672-5.

NASCIMENTO, Márcio Alessandro Neman. Homofobia e homofobia interiorizada: produções subjetivas de controle heteronormativo?. Athenea Digital, [S. l.], ano 2010, n. 17, p. 227-239, 1 mar. 2010. Disponível em: https://atheneadigital.net/article/view/n17-nascimento/652-pdf-pt. Acesso em: 4 abr. 2022.

TÁRSIA, Rodrigo Amorim. Alossexual. In: TÁRSIA, Rodrigo Amorim. Tesauro sobre Orientação Sexual e Identidade de Gênero . [S. l.], 24 out. 2020. Disponível em: https://www.ufrgs.br/tesauros/index.php/thesa/c/21643/283. Acesso em: 4 abr. 2022.

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