#MinhaHistoriAce | Como eu me descobri assexual

Autoria: Ravi
Revisão: Isabela

em comemoração da semana da visibilidade assexual de 2022, decidi refazer meu texto sobre minha autodescoberta pro quadro de autodescobertas da equipe aroaceiros.

meu nome é ravi, também conhecido como mojo, e eu sou o criador do aroaceiros.  apesar disso, antes da criação desse coletivo e da produção de conteúdo daqui , eu já falava sobre assexualidade e arromanticidade na minha conta pessoal. isso desde 2015, quando eu me descobri assexual. mas, antes de explicar como eu me descobri, a gente precisa de um pouco de contexto.

tudo começou lá em 2014, apesar de só ter se tornado algo concreto no final de 2015. eu tinha 13 pra 14 anos e entrei numa escola muito lgbt positiva, eu não sabia como me encaixar ou o que eu era, entao só dizia que  era uma ameba mesmo, porque eu sabia  que não tinha sentido  nenhum tipo de atração até esse momento da minha vida. mesmo que eu não conhecesse os termos, ainda  tinha noção que quando  olhava pras pessoas, eu não  queria  tocar, nem beijar ou nada do tipo  que adolescentes sempre falam muito sobre.

até aí tudo bem, só que em fevereiro de 2015 eu conheci uma pessoa de cabelo azul curto e fiquei obcecado pelo cabelo. até aquele momento, eu fazia o máximo pra me encaixar nos padrões de feminilidade, dentro do que meus pais  permitiam, e eu tinha um cabelo comprido. então eu fiquei muito entusiasmado de conhecer uma pessoa afab de cabelo curto, com aquele corte que as pessoas a minhas volta chamam de “corte joãozinho”.

por isso, meus amigos concluíram   que eu tava afim dessa pessoa quando  na verdade eu tava animado porque ver ela me deu o incentivo final para cortar meu cabelo. resumindo toda a história, eu acabei ficando com essa pessoa, por pressão das pessoas a minha volta. acabou sendo uma experiência negativa que me levou a  uma crise de ansiedade.

apartir disso, todas as pessoas a minha volta chegaram a conclusão de eu era lésbica, o que acabou me incomodando muito porque eu ainda não tinha certeza da minha identidade e só tinha 15 anos. claro que eu comecei a agir estranho(já que eu estava desconfortável)  quando os boatos mudaram pra  eu  ser  “assexuado”. apesar disso ter me incomodado, eu acabei tentando me entender e cheguei a conclusão de que não podia sentir atração sexual, nem romântica (o que na época eu acabei definindo como não conseguir ter atração física, nem me apaixonar).

eu me defini usando meus próprios termos . eu fiz um texto que me deixou orgulhoso e mandei pra uns amigos meus. infelizmente, essas pessoas acabaram não levando a sério e a maneira como me responderam acabou mexendo com a minha autoestima e com a sensação boa de ter me entendido. por tudo isso, acabei bloqueando meus sentimentos e deixando tudo pra trás.

então  em setembro daquele mesmo ano,  fiz  um trabalho sobre assexualidade para uma apresentação da matéria de sociologia. nao sei dizer quando me descobri assexual, eu so soube. e meus professores amigos e colegas. sai do armário antes mesmo de me descobrir, foi uma loucura. isso porque acabei pesquisando demais, falando demais, fazendo apresentações de escola demais sobre o tema. 

assim,  já era outubro quando eu achei que era demissexual e panromantico. em novembro, aceitei ser assexual estrito. certos fatores externos me faziam  crer que eu era birromantico. depois, eu só podia ser homorromântico (porque até então, eu não sabia que era trans).

eu acho que queria procurar a identidade que fizesse eu me sentir menos diferente e  fui percebendo que não tinha intenções de contato físico de nenhuma forma, apenas fraternal. até esse momento, meus sentimentos mais “românticos”, na verdade, entravam na linha do queerplatônico.

hoje,  apenas me identifico como assexual estrito (ou seja, nunca sinto atração sexual), bi-grayassensorial (sinto atração sensorial em situações muito raras e específicas, no meu caso, às vezes relacionados a sentimentos e laços românticos, mas às vezes do nada. por isso não me defino como demi, porque nem sempre existe essa relação com os laços afetivos) e gray-arromântico (sinto atração romântica muito raramente).

e fato engraçado: ameba é um termo usado para se referir a assexuais. ou era, no começo da comunidade

mas a jornada da autodescoberta nunca acaba. talvez eu perceba que eu pertenço àoutras identidades, que a maneira como eu me sinto, como me percebo, se encaixa em outras identidades. e tá tudo bem. 

colocar um nome nas nossas identidades serve pra nos fazer sentir pertencentes e nos entender melhor, entender nossos padrões e nos deixar mais confortáveis. se em algum momento essa identidade te faz sentir como numa prisão, como se você tivesse o dever de cumprir os limites dessa identidade, então está tudo bem reavaliar como você se sente e procurar alguma outra identidade que se encaixe melhor ou simplesmente não se rotular. o que fizer você se sentir mais confortável sendo você.


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: